Impacto e Ciência

Como medimos o Impacto Wylinka

03/agosto/2023

Impacto – Há uma década, um sonho audacioso e inspirador começou a ganhar forma. Nasceu a Wylinka, uma organização sem fins lucrativos com a missão de impulsionar a inovação a partir da ciência, transformando o cenário social e econômico brasileiro. 

Desde o nosso surgimento, temos buscado ser um verdadeiro catalisador de transformações. Com uma equipe dedicada e apaixonada, trabalhamos para promover a interação entre cientistas, empreendedores e agentes de inovação, visando mudanças sistêmicas e de longo prazo. Todo ano, nosso relatório é um retrato dos resultados desse trabalho. Em celebração ao nosso décimo aniversário, o relatório deste ano aborda a nossa trajetória, trazendo os principais impactos ao longo desse período. Para lê-lo clique aqui.

E é sobre as transformações que inspiramos e sobre como medimos o impacto dos nossos programas que queremos falar com você neste texto. Então, pegue um café e venha com a gente! 

O que entendemos por impacto?

Primeiro, é preciso explicar o que nós entendemos por impacto. Para nós, impacto não é um sinônimo de resultado. De modo geral, o resultado diz respeito aos números alcançados no decorrer dos projetos ou assim que ele é encerrado. Já o impacto é a transformação que causamos, por meio dos nossos projetos, no médio e longo prazo. 

Na Wylinka, medimos o resultado a partir de um set de indicadores que nos auxiliam a tomar decisões estratégicas tanto para a captação de parcerias, como para o direcionamento estratégico das ações e das metodologias usadas nos projetos. Eles nos dão a visão de outputs, ou seja, a visão de resultados imediatos após a nossa intervenção junto às pessoas atendidas pelos projetos que executamos. Esses indicadores numéricos são:

  • Pessoas capacitadas: número de pesquisadores, professores, estudantes e empreendedores que participaram dos nossos programas de empreendedorismo e inovação. Também pode indicar o número de agentes de inovação capacitados em programas de desenvolvimento ou gestão de inovação que realizamos.
  • Soluções idealizadas: soluções idealizadas nos nossos programas que têm o objetivo de despertar o empreendedorismo de base tecnológica e/ou a inovação.
  • Soluções em desenvolvimento: soluções desenvolvidas e testadas nos nossos programas que visam transformar uma ideia em um modelo de negócio.
  • Negócios apoiados: empresas constituídas ofertantes de soluções de base tecnológica participantes de programas de desenvolvimento e gestão que realizamos.
  • Tecnologias mapeadas: número de tecnologias identificadas e avaliadas dentro de projetos com foco no atendimento de critérios e desafios previamente mapeados junto a parceiros do setor público ou privado. Também pode indicar tecnologias avaliadas segundo metodologias como a Diligência da Inovação, com foco na busca de oportunidades para desenvolvimento, parcerias e transferências, assim como aquelas mapeadas e avaliadas dentro do processo seletivo de programas de aceleração. Veja alguns exemplos aqui!
  • Organizações mobilizadas: número de organizações do ecossistema mobilizadas para os projetos e programas de inovação que realizamos em período determinado.
  • Mentores e voluntários mobilizados: profissionais que apoiaram os nossos projetos como mentores, convidados ou palestrantes.
  • Conexões entre academia e mercado: número de conexões entre pesquisadores/cientistas e empresas, startups ou especialistas de mercado para geração de negócios e novas oportunidades.
  • Instituições de inovação apoiadas: indica quantas agências e departamentos de inovação dentro de universidades e ICTs, incubadoras, hubs, laboratórios, coworkings e outros habitats de inovação participaram dos nossos programas.
  • Ações de inovação desenhadas: refere-se aos programas, projetos ou políticas de inovação desenhados nos projetos que realizamos.
  • Número de Projetos: indicador padrão que mostra o número de projetos que realizamos em um determinado período.

Veja os indicadores aplicados:

Confira os resultados de 2022. Fonte: Relatório Especial 10 anos

Já o impacto, nos dá a visão de outcomes, ou seja, a visão das mudanças de comportamento e transformações de médio e longo prazo proporcionadas pelos projetos que executamos. Podemos perceber esse impacto nas histórias dos programas e acompanhando o que aconteceu com os participantes dos projetos depois da nossa intervenção.

Segundo a nossa Gestora de Marketing, Maristela Meireles, durante toda a história da Wylinka medimos os resultados alcançados pelos nossos projetos. Porém, com o desenvolvimento do ecossistema e da própria organização, ficou cada vez mais claro a necessidade de tangibilizar as histórias que os indicadores não conseguem mostrar. 

“Desde 2017, nós estudamos a Teoria da Mudança e ela tem nos ajudado muito a medir o impacto. Trabalhamos com resultados, muitas vezes, pouco tangíveis. Usar a Teoria da Mudança evidencia as relações de causalidade que precisamos estar atentos para gerar não só números mas principalmente o impacto. Por exemplo: o que podemos  aprender com a história de um pesquisador/professor que mudou sua visão de trabalho e se tornou mais empreendedor depois de um programa da Wylinka? Tem elementos nessa história que são replicáveis, que são a instalação de capacidades, o potencial do talento e do projeto de viver após o programa da Wylinka e a replicabilidade desses aprendizados depois que não estamos mais presentes na vida dessas pessoas. Com isso em mente, temos um norte poderoso para balizar a qualidade dos nossos projetos”, conta Maristela Meireles.

Como viabilizamos a mensuração do impacto?

Com a utilização da Teoria da Mudança, surgiu a oportunidade de entender mais sobre impacto.  Em nossos estudos, encontramos o conceito de Lean Data. Essa metodologia é difundida pela Acumen e foca em medir fatores essenciais para potencializar o impacto de ONGs e negócios sociais. O Lean Data busca simplificar a mensuração por meio de metodologias focadas em coletas rápidas de informações que validam a qualidade do impacto gerado e as premissas mais básicas da tese de mudança das organizações. 

A intenção é permitir que as empresas e ONGs que ainda não possuem recursos e parceiros para implementação de robustas metodologias de pesquisa – o que é o caso da esmagadora maioria dos negócios de impactos e ONGs – possam aferir a qualidade do seu trabalho e verificar se estão na rota correta para a promoção de transformações. 

No nosso caso, observamos feedbacks qualitativos recebidos ao longo dos anos e histórias de empreendedores e agentes de inovação capacitados e apoiados pelas nossas metodologias. A partir disso, conseguimos levantar quatro fatores essenciais para avaliar a qualidade das nossas intervenções e a sua probabilidade de reverberar transformações de longo prazo na vida das pessoas e instituições atendidas. Esses fatores essenciais são:

  • Mudança de mentalidade e desenvolvimento de competências para inovação;
  • Instalação de capacidade e replicabilidade do aprendizado;
  • Potencial de continuidade das soluções e projetos após a nossa intervenção;
  • Geração de rede e oportunidades de negócio.

Na prática

Mas, afinal, como sabemos se os nossos programas provocam mudanças sistêmicas? Até pouco tempo atrás, a metodologia do NPS (Net Promoter Score) era a nossa principal ferramenta para medir a satisfação dos participantes. Porém, percebemos que ela nos dava muito poucas informações a respeito das variáveis que sustentavam o impacto que queríamos causar. Além disso, nosso time precisava medir fatores que vão além da satisfação das pessoas, mas também (e principalmente) o nível de transformação que a nossa intervenção poderia causar no contexto. 

Desde 2021, a cada programa finalizado, convidamos os participantes a responder uma série de perguntas. No primeiro ano, tivemos 584 respondentes que mostraram que, na sua visão, houve uma evolução da capacidade e do nível de conhecimento para empreender e inovar após a participação em nossos programas.

Na época, mais de 90% das pessoas que participaram da nossa pesquisa confirmaram a alta replicabilidade do conhecimento e do potencial de dar prosseguimento ao projeto idealizado ou acelerado em nossos  programas. Além disso, cerca de 60% das pessoas acreditavam que a Wylinka gerou alta capacidade de conexões e oportunidades de negócio. Ou seja, os pesquisados atribuíram notas 4 ou 5 (em uma régua de 0 a 5) para estes três itens avaliados. Veja na imagem abaixo:

Fonte: Relatório 2021

Já em 2022, tivemos 221 pessoas participando da nossa pesquisa. O resultado continuou mostrando que há uma evolução da capacidade e do seu nível de conhecimento para empreender e inovar após a participação em nossos programas. 

Fonte: Relatório Especial 10 anos

Além disso, em 2022 houve um crescimento no percentual dos participantes que apontaram uma mudança na sua formação empreendedora e no seu conhecimento sobre o tema após a participação nos nossos programas. Veja na figura abaixo: 

Fonte: Relatório Especial 10 anos

Para além dos números 

Outros fatores que também avaliamos junto aos pesquisados são o tipo de apoio que eles consideram mais necessário para dar continuidade ao seu projeto e as atitudes/comportamentos que as nossas ações os ajudaram a desenvolver. Nos dois casos, os participantes poderiam marcar todas as opções que achassem relevantes. 

No quesito apoio após os projetos, tanto em 2021 quanto em 2022, os termos “Investimento” e “Equipe” foram os mais citados.

Fonte: Relatório Especial 10 anos

Já entre as atitudes/comportamentos mais desenvolvidas durante os programas, as opções mais citadas tiveram uma pequena alteração entre os dois anos avaliados. Enquanto em 2021 os comportamentos mais desenvolvidos pelos nossos projetos, segundo os participantes, foram: Orientado(a) à Ação; Reflexivo(a)/Analítico(a) e Empático. Como mostra o quadro abaixo:

Fonte: Relatório 2021

Em 2022, esse pódio passa a ser: Orientado(a) à Ação; Resiliente e Focado(a) em Resultado. 

Fonte: Relatório Especial 10 anos

A lista de competências utilizada em nossa pesquisa é baseada no Global Innovation Policy Accelerator (GIPA), programa do governo britânico realizado no Brasil em parceria com a Wylinka. Executado em 11 países ao redor do globo, o GIPA foi criado por uma das principais instituições que trabalham com inovação no mundo, o NESTA (National Endowment for Science Technology and Arts) e financiado pela agência de inovação britânica Innovate UK e o Fundo Newton. Confira o material de referência aqui

O que queremos para o futuro?

Há 10 anos, o ecossistema de inovação brasileiro ainda estava em desenvolvimento e as principais referências eram internacionais. Muito pouco se falava em inovação, empreender conhecimento científico e sobre deep techs. Porém, mesmo assim, topamos o desafio. Hoje em dia, com o ambiente de inovação e a ciência brasileira mais aberta a esses temas, acreditamos que ainda temos muito a sonhar e contribuir. 

Para que isso aconteça, precisamos de ferramentas estratégicas que forneçam dados e evidências para guiar nossas ações de uma maneira que desenvolva mudanças sistêmicas no ecossistema. Segundo a nossa Especialista em Inovação, Inaiara Cóser, a importância de se levantar esses dados está justamente na mensuração de impacto e processamento de aprendizados. 

“Quando coletamos esses dados, estamos olhando o impacto a partir de duas dimensões: extensão e profundidade. A extensão está relacionada aos números quantitativos e isso nos ajuda a avaliar o alcance dos nossos programas. Já a profundidade envolve o grau de transformação das pessoas que passam pelos nossos programas. A partir da avaliação dessas duas dimensões, conseguimos ter insights importantes sobre os nossos processos e sobre as necessidades dos nossos usuários”, informa Inaiara Cóser. 

Para o futuro a ideia é potencializar ainda mais esse impacto. Nosso objetivo é levar as capacidades empreendedoras e de inovação a todos os ecossistemas regionais de inovação, considerando as características de cada um deles. Além disso, firmamos um compromisso com a igualdade de gênero na pesquisa científica e no empreendedorismo e temos realizado ações internas para construir, coletivamente, a conscientização e o aprendizado sobre questões que englobam raça e acessibilidade em nossos conteúdos e projetos. 

Também temos trabalhado para criar e difundir um modelo replicável de viabilização do investimento e desenvolvimento das inovações deep tech, assim como nos consolidar como uma fonte de capital intelectual para o desenvolvimento da inovação de base científica e tecnológica brasileira. Vamos juntos?

Quer conhecer mais sobre a história da Wylinka e como impactamos o ecossistema? Baixe aqui o nosso Relatório Especial de 10 anos!

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