Cases Wylinka

Realizando o sonho de treinar milhares de cientistas em empreendedorismo e inovação

09/maio/2021

Realizando o sonho de treinar milhares de cientistas em empreendedorismo e inovação

Se você ler nossos últimos 10 textos, verá que seria chover no molhado reforçar o quanto acreditamos na ciência para a transformação do Brasil. Pois bem: acreditamos. Mas tão importante quanto a atenção à ciência é o entendimento de como transbordá-la em forma de melhoria para a sociedade. Para que a ciência seja plenamente apropriada, ela precisa de veículos diversos para sua disseminação: seja educação, licenciamento para comercialização privada, transferência para veículos de serviço público, entre outros. Há ainda muitos mitos que circundam a intenção de ver a ciência dialogando com o mercado, sendo o principal deles a visão em que quando se investe em aproximação da ciência com o mercado, perde-se a pureza da ciência básica e seus grandes avanços. Pois bem: discordamos.

Como defende o excelente livro “O Quadrante de Pasteur”, a ciência deve sim contar com recursos e esforços dedicados à pesquisa básica, mas o relacionamento com o mercado muitas vezes não é mutuamente excludente. No livro, usa-se o exemplo de Pasteur como o arquétipo de um ganho mútuo: Pasteur, ao responder demandas da indústria na época (produtores de álcool), realizou descobertas fundamentais para o desenvolvimento da microbiologia — especialmente em seu trabalho sobre a teoria microbiana da fermentação, no qual analisou a contaminação do álcool por leveduras. Se você quiser se aprofundar nessa tese do Quadrante de Pasteur, já escrevemos um longo post sobre (clique para ler). O importante é o entendimento de que o relacionamento ciência e mercado pode ser saudável, beneficiando a ciência básica com descobertas e recursos, além de permitir que a sociedade possa se apropriar da inventividade acadêmica.

E é com isso em mente que há nos nos esforçamos continuamente em programas ligados à transferência de tecnologia ou transformação de universidades. Já realizamos projetos muito importantes, como a Avaliação e Promoção de Tecnologias da Fiocruz ou o Mapeamento de Soluções em Saúde para a Associação Samaritano, mas recentemente abraçamos um desafio que consideramos como um sonho alcançado: a formação de milhares de cientistas nacionais em empreendedorismo e inovação por meio do programa Catalisa ICT, do SEBRAE. É famosa a abordagem chinesa de ensino de empreendedorismo em massa nas universidades para avanço da inovação nacional, e poder participar da realização de algo similar no Brasil é um grande marco na história da Wylinka. Nesse post, vamos contar um pouco para vocês sobre o que estamos fazendo e como o modelo pode ser replicado para mais e mais cientistas do país.

O programa Catalisa ICT

O programa Catalista ICT é dividido em 4 etapas: (i) empreender para inovar; (ii) identificar problemas; (iii) projetar soluções; (iv) gerar o plano de inovação. No primeiro módulo, são apresentados conceitos principais de inovação, além dos agentes fundamentais em ecossistemas de inovação, como NITs, alternativas de investimentos e empresas. Na parte prática, os participantes são convidados a olhar para seus projetos científicos e analisar o grau de maturidade tecnológica dos mesmos. Já no segundo módulo, cientistas recebem todo o ferramental para ir para a rua escutar clientes, analisar dados e formular o problema, tudo isso se baseando em ferramentas baseadas em design, como matriz CSD e design challenges. A ideia aqui é — antes de avançar na tecnologia, tente escutar mais o mercado e adaptar-se às demandas. Complementarmente, desafios e demandas do mercado são apresentados para pesquisadores, de modo a estimular a conexão de oportunidades de soluções. Na terceira etapa, os pesquisadores aprendem ferramentas de brainstorming e priorização, além de entenderem como fazer um processo iterativo de validação baseado em prototipagem, hipóteses e feedbacks. Por fim, temos o plano de inovação: a etapa final do programa, no qual os pesquisadores organizam todos os aprendizados do processo em ferramentas como matriz de risco, 5W2H e plano de ação para avanço das atividades de transformação da pesquisa em negócios reais.

E depois disso? Os planos de inovação que se mostrarem bem construídos, factíveis e promissores poderão receber até R$150.000 reais para financiar custos e bolsas para sua execução. Treinamento, prática, contato com o mercado, palestrantes de renome (como o professor Ziviani, nosso ídolo e fundador da Akwan, spin-off da UFMG vendida para a Google), financiamento e muito mais — tudo isso para aproximar cada vez mais a ciência do mercado no nosso país.

Realizando um programa em escala

O grande desafio em questão é a escala, afinal, foram 3 mil inscritos e as capacitações estão atingindo cerca de 1000 pesquisadores por rodada. Como conseguir o sonho do “massive entrepreneurship” na ciência? Esse é um dos principais diferenciais do programa Catalisa ICT. Nele, além do benefício das capacitações serem executadas em modo remoto, contamos com diversas ferramentas, nas quais os participantes realizam atividades, como quizzes e tarefas. Além disso, para compensar o formato de conteúdos em massa, oferecemos um canal de dúvidas e realizamos sessões de duas horas semanais no Youtube para tirar dúvidas e dar direcionamento aos participantes — algo que funciona muito bem, afinal, muitas vezes a dúvida de uma pessoa é a dúvida de muitas. Desta forma, garantimos que o conhecimento está sendo disseminado em massa, mas com suporte personalizado projeto a projeto, com mecanismos de accountability e engajamento.

Próximos passos!

Algumas coisas não podemos contar ainda, mas podemos dizer que o futuro será promissor! Novos editais, programas e mecanismos estão para sair e convidamos você a seguir nossas redes sociais — Instagram e Linkedin — para acompanhar as novidades. E, ah, não deixem de conferir o site do Catalisa ICT, pois é por lá que novas aberturas de editais serão divulgadas. 😉

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