Deep Techs e Startups

Quem investe nas Deep Techs hoje?

19/julho/2023

Conheça quem são os principais atores que investem em deep techs no Brasil hoje e aqueles em que você deve ficar de olho!

Já falamos por aqui que o investimento em deep tech é a nova onda da inovação! De acordo com a Comissão Europeia, Sifted e Dealroom, estima-se que, só na Europa, este segmento esteja avaliado em 700 bilhões de euros. Além disso, uma pesquisa da Hello Tomorrow mostrou que o investimento nessas inovações cresceu 4 vezes de 2016 a 2020, indo de 15 para 60 bilhões de dólares. Dados da BCG e da Hello Tomorrow mostram que, até 2025, espera-se que sejam investidos 200 bilhões de dólares em deep techs. 

Ciente disso, a Wylinka em parceria com a Caos Focado, e com apoio da Hello Tomorrow e da State, realizou em junho o 1º Fórum de Deep Techs. O evento exclusivo sobre investimento em deep techs reuniu diversos atores relevantes do ecossistema de inovação brasileiro, incluindo investidores, empreendedores, governo, academia e instituições facilitadoras da inovação, para um importante diálogo sobre as potencialidades e os desafios das deep techs. 

O encontro também marcou o início da parceria da Wylinka com a Hello Tomorrow, referência mundial no universo das deep techs. Desde 2011, a organização promove uma série de iniciativas em prol do segmento e gerencia a maior rede de startups baseada em conhecimento científico do mundo.

Mas a pergunta que não quer calar é: quem investe em deep techs no Brasil atualmente? Pegue um café que nós vamos te contar e trazer alguns insights do encontro😉

Quem já investe em deep techs?

Historicamente os Governos e os Fundos de Apoio à Pesquisa representam a espinha dorsal do investimento em deep techs em todo o mundo. Mesmo com a diminuição dos investimentos públicos em ciência e inovação – algo que aconteceu não apenas no Brasil, mas em vários países -, o setor público ainda é o principal ator de apoio à maturação de tecnologias. 

Além do investimento direto, governos e universidades têm a capacidade de promover o ecossistema de deep techs por meio de políticas públicas, fomentando a colaboração. Eles oferecem laboratórios e outros recursos para auxiliar os pesquisadores. Além disso, podem atuar como reguladores e facilitadores para o acesso à infraestrutura e ao financiamento de projetos, envolvendo diversos atores, como bancos, empresas, municípios, associações e investidores privados. 

Um exemplo de investidor nessa categoria é a Fundação de Amparo  à Pesquisa do Estado de São Paulo. Durante o Fórum Cátia Favale, da Fapesp, explicou que a fundação financia vários editais, dentre eles os Pipes, onde temos por exemplo o Pipe Start, que é a porta de entrada para o pesquisador na jornada empreendedora. 

Também temos o Pipe 1, linha de crédito de 300 mil reais em que o empreendedor tem a oportunidade de testar a sua pesquisa, e o Pipe 2, linha de crédito de até 1,5 milhão de reais e que traz um desafio maior, pois entende-se que o pesquisador já está mais estruturado e pode mostrar melhor suas perspectivas. 

Todo esse investimento não é reembolsável, isso significa que a Fapesp assume o risco caso o projeto não atinja os resultados esperados, o que faz parte da lógica do funil da inovação. Favale ainda destacou que os participantes são incentivados a se capacitarem como empreendedores, transformando sua tecnologia em produto de mercado. “Por quê? Para fazer a roda girar: quando o cientista vira empreendedor ele gera empregos, impostos e assim as coisas se conectam”, explicou. 

Foto: Fernando Siqueira

Quem pode investir mais em deep techs?

Porém, há uma tendência de queda de investimento desse perfil de investidor, como já vimos, o que representa menos recursos para negócios em fase de ideação e validação. Com isso, é preciso encontrar novos atores com disposição a correr esse risco. A pergunta que fica é: quem mais está disposto a investir nas deep techs? 

Uma opção são os Corporate Ventures (CVs). As grandes empresas captam valor além do retorno financeiro dessas parcerias e podem ser uma alternativa interessante para maturação de deep techs. Primeiro porque os ativos de propriedade intelectual podem ser absorvidos de diferentes formas dentro das estratégias da companhia; segundo porque a parceria com centros de pesquisa pode acelerar e/ou baratear as ações de P&D. 

Além disso, as empresas podem formular outros tipos de parceria que contribuem para a diminuição do risco e maturação dessas inovações, como acesso a ambientes de teste, acesso a base de usuários, base de dados entre outros ativos que podem acelerar a validação desses empreendimentos. Saiba mais aqui!

Eduardo Sperling, da Ahead Ventures, contou, durante o Fórum, que sua instituição gere atualmente fundos com a Renner (que investe bastante em tecnologia), com a Vivo e com a Suzano, sendo este último um fundo voltado declaradamente às deep techs. Sperling também contou que as corporações são bastante voláteis e o preço das ações impactam um projeto de longo prazo. Um dos desafios que ele enfrenta é fazer com que essa volatilidade não impacte nos projetos. 

“Um fundo para corporação precisa trazer valor estratégico para a corporação, mas não tem nada estratégico em perder dinheiro e eu preciso ter o olhar de ganhar dinheiro. Onde eu acho que tem um diferencial? O entendimento profundo da tecnologia, o entendimento profundo de como isso pode trazer impacto para novas linhas de negócio para a corporação e onde tenho um horizonte com um pouco mais de tempo’, destacou Sperling. 

Outro ator que tem potencial para ser um parceiro de negócios das deep techs são os fundos de Venture Capital (VC). Você pode se perguntar: como? Afinal, de forma geral, os fundos de VC tradicionais têm ciclos pouco compatíveis com o tempo necessário para a maturação de uma dee tech. Além disso, esses empreendimentos muitas vezes trabalham com mercados e hipóteses de negócio emergentes, o que pode dificultar o entendimento desse investidor sobre o setor e os potenciais dessas inovações. 

Contudo, deep tech é a buzzword do momento e é possível identificar fundos que as contemplam em suas teses. Conforme mais exemplos de sucesso vão surgindo, mais disposição o mercado terá em apostar nesse segmento. 

É preciso ressaltar que esse investidor está menos disposto ao risco em comparação com os atores citados anteriormente. Por isso, estão mais dispostos a investir nas deep techs quando já validaram suas hipóteses de mercado e estão em fases mais avançadas dos negócios. 

Porém, é preciso lembrar sempre que esses riscos podem ser mitigados. Durante o Fórum, Carlos Lopes, da Fundepar, VC focado em deep techs , compartilhou sua experiência. Segundo ele, atualmente eles utilizam duas estratégias para mitigar riscos: um conselho técnico, para ajudar a selecionar as startups, e apostar em um capital mais paciente. 

“Temos um comitê técnico, pois precisamos de um respaldo de que a equipe será capaz de entrar aquilo que diz, mas depois entramos em cena para pensar em cenários e tentar reduzir a necessidade de revisão. Por exemplo, se a empresa fala em seis meses, a gente começa a planejar 18, tendo um pouco mais de calma, para que o pesquisador tenha caixa para desenvolver”, contou Lopes. 

No caso, a Fundepar auxilia os pesquisadores a desenvolverem uma visão estratégica e um planejamento de negócios, para que exista uma justificativa coerente ao mercado de investimentos para a aposta em riscos maiores.

Já sobre o ecossistema, Carlos Lopes falou sobre a necessidade de que mais atores se mobilizem e que os investidores de risco de fato corram mais riscos. “Precisamos começar a entender o retorno de forma mais ecossistêmica para que tenhamos mais fundos, mas não com 38 milhões de reais, mas 380 milhões. Para que possamos investir mais vezes e ter mais tempo para acompanhar o desenvolvimento desses empreendimentos”, ressaltou. 

Quem pode vir a investir em deep techs?

Para além do potencial de lucro, outro fator que tem chamado a atenção dos investidores para as deep techs é a sua possibilidade de impacto socioambiental. O que acreditamos apontar para um possível match delas com a Venture Philanthropy (VP), Investimento Social Privado e Investidores de Impacto

Para Andreia Resende, do Impact Earth, há muitas similaridades entre o mercado das Deep Techs e dos Negócios de Impacto, como, por exemplo, a grande capacidade de impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente. Assim como a complexidade dos arranjos, a necessidade de maior tempo de maturação e do capital tomar risco em fases iniciais de desenvolvimento. Pensar em como conectar mundos e tipos de capitais diferentes (doação, fomento, concessional, capital de mercado), em prol do desenvolvimento de tecnologias/inovações é essencial. 

Mas por que nós acreditamos na junção do mundo da C&T com o mundo de Impacto? Avaliamos que existem questões de curto e longo prazo que justificam o potencial das tecnologias de base científica aplicadas e negócios de impacto.  

Questões de curto prazo: Dentro do ecossistema de impacto, muitos empreendedores buscam soluções tecnológicas para viabilizar seus modelos de negócio e resolver problemas complexos, como acesso à água e prevenção de doenças. Já existem tecnologias prontas para enfrentar esses desafios. Precisamos de iniciativas que conectem e traduzam os dois mundos, acelerando a viabilização de negócios inovadores de impacto. A inovação pode estar, inclusive, no modelo de negócio, permitindo o acesso de novos públicos a recursos existentes.

Questões de longo prazo: Existem tecnologias emergentes baseadas em pesquisas científicas que estão sendo desenvolvidas nas universidades. Elas têm o potencial de resolver problemas ainda sem solução ou enfrentar desafios futuros. Esse trabalho requer tempo de desenvolvimento, fomento desde o início dos projetos tecnológicos e a aproximação dos pesquisadores e empreendedores com os desafios do campo.

Foto: Fernando Siqueira

Conclusão

Mas o cenário está favorável ou não? Durante o evento Arnaud de la Tour, CEO da Hello Tomorrow, contou que o cenário brasileiro de deep techs se assemelha ao que a França tinha há 5 ou 10 anos: um grande potencial, mas ainda com trabalho a ser feito. Arnaud ressaltou que o desenvolvimento de um ecossistema bem-sucedido leva tempo e está otimista, acreditando que o cenário irá melhorar ao longo do tempo.

Tudo isso demonstra também a necessidade de coordenação entre os atores do ecossistema para o desenvolvimento das deep techs, de forma que elas tenham  investimento em todos os seus estágios de maturação. Nesse sentido, o diálogo é essencial!

Como organização, acreditamos que juntos poderemos enfrentar os desafios que se colocam nesse cenário de forma que o ecossistema cresça com raízes fortes e produza sementes e frutos. Quer fazer parte dessa jornada conosco? 

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Para saber mais 

Quer saber mais sobre deep techs e o seu potencial? Confira as nossas indicações:

  • Afinal, o que são deep techs? Entenda aqui
  • Confira o nosso Report sobre Investimento em Deep Techs, com insights valiosos (baixe aqui)
  • Entenda qual é o papel das grandes empresas no desenvolvimento das deep techs (clique aqui
  • Conheça um mapeamento de deep techs brasileiras (clique aqui)
  • Entenda qual a ligação do CVC com as deep techs aqui 

Autoras: Maristela Meireles – Gestora de Marketing na Wylinka, já atuou na capacitação de empreendedores e no desenvolvimento de metodologias para nossos programas de inovação e aceleração de soluções. / Tuany Alves – Jornalista e analista de comunicação na Wylinka.

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