Deep Techs e Startups

As 7 tendências de startups para o Brasil em 2021

27/dezembro/2020

As 7 tendências de startups para o Brasil em 2021

Chegamos ao final desse nada típico 2020. Diante de tantos desafios, buscamos reforçar a tese que carregamos há mais de 5 anos aqui na Wylinka: é preciso investir em ciência, em inovação, em startups, em igualdade e em educação. Todos estes pilares receberam forte atenção em 2020, embora muitas vezes por causa de crises, negacionismos, tragédias e mais. De toda forma, as startups acabaram entrando nos holofotes devido ao movimento de digitalização da vida das pessoas (assim como outros fatores macroeconômicos, como juros baixos e dólar alto que criou um cenário de volumes de capital mais parrudos sendo investidos). Diante dessas mudanças, resolvemos escrever algumas tendências nas quais acreditamos (ou que a rede de especialistas que acionamos acredita). Então vamos a elas =)

Photo by Edu Lauton on Unsplash

1. O boom do varejo online e todo seu ecossistema de serviços

Em 2020, vimos o boom do varejo online no Brasil. A demanda explodiu, as ações se valorizaram e a capitalização destas empresas levou a movimentos de aquisição, ampliação de infraestrutura e grandes investimentos. Com destaque para Magazine Luíza e Mercado Livre, temos o desenvolvimento de uma série de serviços complementares que enriquecem a experiência — produtos financeiros para facilitar a aquisição de produtos, soluções logísticas para melhorar a responsividade na entrega e tecnologias de gestão da informação que auxiliam no direcionamento de ofertas e entendimento dos clientes. Muitos destes serviços complementares não são proprietários, como Loggi no Mercado Livre, o que significa fortalecimento de diversos players que melhoram o varejo de forma geral no país. A consequência é o surgimento de novos negócios, como as soluções D2C (direct-to-consumer — sem lojas ou intermediários), bem comuns nos EUA, mas ainda pouco viáveis nos custos de operação brasileiros. Em 2020 já vimos o fortalecimento ou nascimento de algumas startups D2C (Yutees, Bioest, Zissou e Loja Mundo Geek), e esperamos que as melhorias em processos de comercialização e envios do país repercuta em mais startups desse tipo surgindo.

2. No-code empoderando muita gente

A tendência do no-code, a habilidade de construir certas coisas sem saber programar, também se fortaleceu nos últimos anos, especialmente com a chegada de produtos como Webflow (criação de sites) e Bubble (criação de aplicações). Até mesmo a Amazon entrou na brincadeira em 2020 com uma plataforma no-code para criação de apps. Mas o que isso significa? Significa que muita gente vai poder criar suas próprias soluções, mesmo que preliminares, oferecendo agilidade e mais oportunidade para talentos emergentes que não tem background em tecnologia. Sabe aquela pessoa talentosa que faz quadros incríveis, ou aquela arquiteta com trabalho excelente, mas que não consegue se profissionalizar tanto em sua comunicação? Com o no-code, isso vem fácil. E melhor: para quem produz coisas físicas, esperamos que a tendência #1 se complemente com essa #2, sendo fácil criar uma loja e ter toda a infraestrutura plugada para que as coisas aconteçam.

3. Saúde mais personalizada, preventiva e eficiente

Com o surgimento/fortalecimento de novas modalidades de serviços ligados à saúde (operadoras, planos e intermediários), acreditamos na possibilidade de sofisticação de serviços diversos. Soluções como Pipo Saúde, Alice, Cuidas, Sami e mais trazem para o país uma nova visão de saúde, que garantem mais efetividade ao se basearem em dados e encararem pacientes de maneira diferente das empresas clássicas do setor. Com isso, abrem-se oportunidades para serviços de saúde que antes não eram valorizados pelos grandes players — tratamentos mais eficientes, dinâmicas que olham para prevenção em vez de correção e serviços personalizados, como médicos de família e acompanhamentos diretos. Esperamos que isso abra novos horizontes para spinoffs acadêmicas, com soluções de ponta em termos de diagnóstico e intervenção, sendo melhor aceitas pela indústria, que sempre foi bastante tradicional.

4. Normalização das plant-based foods

Enquanto 2019 foi um ano de primeiros testes, 2020 veio como um ano de crescimento das plant-based meats, carnes feitas de produtos vegetais. Embora ainda haja muita discussão em torno do quão saudável ou não-industrializadas são essas carnes, seu crescimento foi vertiginoso por andar lado-a-lado com o aumento de consciência ambiental das pessoas. Para 2021, enxergamos não só o fortalecimento desse assunto, mas até mesmo sua normalização — com melhoria na engenharia de alimentos por trás desse processamento, virão produtos mais saudáveis e as soluções irão se estender além das carnes. Um exemplo foi a Mantiqueira, tradicional produtora de ovos do Brasil, criando o N.Ovo: uma startup de ovos plant-based que começa suas operações agora em Janeiro dentro da gigante*.* Além das linhas de produtos, oportunidades surgem no campo de serviços de assinatura, e-commerce e outras plataformas que facilitem o acesso ao universo plant-based que vai surgir.

5. Personalização da educação

Com as barreiras para o ensino remoto caindo, muitas pessoas viram que é possível desenvolver competências em cursos online, e isso alavancou a adoção de diversos produtos de ensino digitalizado. Seguindo algumas tendências internacionais, apostamos bastante em alguns tipos de produtos ligados à personalização da educação permitida pelo digital: (i) cohort-based learning, com pequenos grupos realizando cursos temáticos juntos, aprendendo em comunidade; (ii) ensino peer-to-peer em escala, com plataformas conectando estudantes com professores particulares ou até mesmo coaches, como é o caso da Grow Gaming, que conecta coaches de e-sports com jogadores que querem aprender mais rápido; (iii) ISA, com produtos educacionais em que a pessoa só paga quando empregada, como fazem Trybe e Labenupara o mercado de TI; (iv) produtos educacionais para nichos, como startups focadas apenas em ensino médio, o que garante expertise e comunidade especializada necessária para desafios tão complexos como os educacionais.

6. Infraestrutura para trabalho híbrido

O mundo não vai voltar 100% para o físico, sabemos. Com isso, muitas soluções deverão surgir — serviços para setup de ambientes de trabalho em casa (envio de computador, teclado, cadeira, luz auxiliar, brindes etc.), espaços de reunião espalhados pela cidade, serviços de comunicação que combatam a zoom fatigue e mais. Uma das pautas que ficaram em alta no fim de 2020 foi a questão de “spatial audio”, com produtos similares ao Discord ao permitir que conversas possam ocorrer de maneira similar aos espaços de escritórios (encontros fortuitos, momentos de relaxamento, espaços de foco e mais).

7. Everything as a service

O conceito do “as a service” tem ganhado diversidade no Brasil, e, a nosso ver, tende a aumenta. Um exemplo foi o crescimento de produtos “Living as a Service” no Brasil, como a Yuca. No modelo deles, você tem mais liberdade para mudar de apartamentos e recebe tudo pronto, decoração, internet, limpeza etc., como um serviço pago mensalmente. De um lado, os usuários ganham em liberdade, mobilidade e qualidade de vida, de outro, a startup ganha em eficiência por ter os ativos concentrados em sua mão, ganhando margens pela escala, além de previsibilidade de receita do modelo de assinaturas. Assim como o Living as a Service, muitas outras oportunidades poderão surgir, com produtos de saúde, transporte, finanças e mais. Aqui na Wylinka, já vimos diversas startups que estão começando a flertar com o modelo “as a service” em mercados super peculiares, e estamos ansiosos pelo que pode surgir em 2021.

Bora construir esse futuro juntos?

E aí, qual outra tendência você apostaria para 2021? Conta aqui para a gente!

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E feliz ano novo a todos! =D