Aceleração e Metodologias

Como estruturar um hub de empreendedorismo e inovação em universidades?

07/julho/2021

Como estruturar um hub de empreendedorismo e inovação em universidades?

Devido ao fato de estarmos trabalhando há tanto tempo com desenvolvimento de empreendedorismo e inovação em universidades, somos sempre procurados por gestores(as) de instituições de ensino querendo construir seus hubs de empreendedorismo/inovação ou mecanismos similares. Além da experiência prática de mais de 5 anos trabalhando nesse espaço, como o suporte a NITs do Rio de Janeiro e da Amazônia, temos vivências acadêmicas e in loco, com alguns gestores(as) da Wylinka passando períodos fora do Brasil explorando mecanismos de empreendedorismo/inovação que possam ser replicados no nosso país.

De modo a facilitar a disseminação do conhecimento referente à estruturação de hubs de empreendedorismo/inovação, resolvemos escrever esse post apresentando 3 espaços que visitamos nessas explorações internacionais: (i) o Martin Trust Center, do MIT, (ii) o I-Center, da Tsinghua University (China) e (iii) o Tsinghua X-Lab, também da Tsinghua University. Iremos apresentar as estruturas físicas com alguns registros fotográficos, complementando com análises de estrutura de processos/integrações para melhor orientar gestores(as) de universidades. Esperamos que gostem! =D

1. Centro de Empreendedorismo do MIT (Martin Trust Center)

O Martin Trust Center é um dos principais hubs de empreendedorismo do MIT. Nele ficam integrados movimentos estudantis, empreendedores em residência, visitantes, estudantes empreendendo, entre outros. A ideia é que, a partir de um espaço físico, pessoas diferentes possam se encontrar para construir coisas, recebendo suporte e infraestrutura para acelerar esse processo. O ambiente conta com espaços para focar (salas de reunião isoladas e “áreas quietas”), bem como espaços para co-criar (coworking e áreas para workshops). Abaixo, a estrutura física do espaço, bem como algumas legendas.

Essa imagem é do próprio MTC. Algumas legendas:

  • Salas 166, 170, 172, 175, 177, 184, 186 188 são salas de reuniões com agendamento;
  • Beehive é um espaço livre de coworking;
  • Bullpen é um espaço com mesas para tarefas rápidas no computador, como resposta de emails etc;
  • Sala 163 (the garage) é uma sala em formato de sala de aula (cadeiras com rodinhas), voltada para cursos e workshops;
  • Protoworks é um makerspace. Quietcar é uma área silenciosa, para estudos;
  • Lounge é uma áea com sofás para o pessoal sentar e conversar, assim como as áreas Nook e Café. Biblioteca e lockers ajudam estudantes a encontrar materiais ligados a empreendedorismo e inovação, bem como guardar seus materiais em armários próprios para mais segurança;
  • Os telefones são pequenas cabines com isolamento acústico para calls. Algumas salas maiores têm infra para videoconferência;

Abaixo, um exemplo da sala para workshops, com paredes livres para escrever e criar:

2. Tsinghua University I-Center

O ICenter é um prédio makerspace com diversas salas e atividades (geralmente organizado por andares). O interessante é a maneira como eles usam as salas: agrupam grupos estudantis por tópicos — então em uma sala, temos diversos grupos estudantis de robótica, enquanto em outra sala se agregam os ligados a sustentabilidade. A estratégia deles com isso é gerar concentração de talentos e e movimento para inovação no prédio — em paralelo, criando uma marca em torno do prédio. Um exemplo da construção de marca/referência do espaço é o fato de alunos organizando eventos com o nome do prédio, como o Hackathon iCenter.

Na maioria das universidades brasileiras, existem grupos estudantis excelentes que podem gerar inovação, ou que são diretamente ligados ao assunto, mas que ainda estão sem espaço. Hubs que permitem a atração desse público se mostram como um jeito de agregar dezenas de estudantes no mesmo espaço e tornar a atmosfera vibrante e multidisciplinar, inclusive para startups estarem perto (na USP, por exemplo, o Núcleo de Empreendedorismo da USP é reconhecido como um celeiro de bons talentos para startups, possuindo dezenas destas em sua rede de apoiadores). Cada um desses grupos possui sua agenda de eventos e eles podem ser levados para o espaço, aumentando a visibilidade e colocando o espaço como referência de eventos voltados para inovação e empreendedorismo entre os alunos da graduação.

Com a atmosfera vibrante construída, novas oportunidades surgem, como integração com disciplinas, programas de mentoria, aceleração de startups, integração com outros agentes fora da universidade e muito mais. O importante é infraestrutura e mecanismos para atrair gente boa.

3. Tsinghua X-Lab

O X-Lab é um espaço da Tsinghua University inspirado no Martin Trust Center — especialmente pelo fato de seu criador/gestor ter um histórico como pesquisador no MIT. O ambiente orienta-se a ser um espaço de coworking, pré-aceleração e eventos — trazendo grandes nomes para inspirar os estudantes da Universidade, como Mark Zuckerberg. O X-Lab conta com as divisões (i) sala de barulho em estilo co-working; (ii) áreas silenciosas; (iii) espaços para conversas a dois, tipo café; (iv) cozinha/copa; (v) espaço para palestras e aulas. Um dos diferenciais do modelo Chinês é uma forte atenção a uma estrutura de fases do desenvolvimento da startup: após o X-Lab, o estudante empreendedor é conectado a incubadoras/aceleradoras; após amadurecer, uma rede de investidores ligados à universidade realiza o investimento anjo e, assim, as etapas seguem até a empresa ficar madura. Se quiserem conhecer o modelo em detalhes, é só conferir essa live feita por um dos gestores da Wylinka para a UFSCar.

Conclusões

A criação de um hub de empreendedorismo/inovação em uma universidade é, em um modelo ideal, uma integração entre infraestrutura, pessoas e processos. É fundamental que se tenha processos que auxiliem no desenvolvimento de startups, mas também espaços e liberdade o suficiente para atrair talentos, especialmente grupos estudantis que podem gerar uma atmosfera vibrante no local. Além disso, estrutura para palestras, aulas e workshops atraem professores(as), que podem abrir portas e dar mais apoio a estudantes. Makerspaces podem auxiliar ao se integrarem com disciplinas de criação de produtos inovadores. Em infraestrutura, pequenos detalhes, como biblioteca, armários, café e espaços para calls também atraem bastante gente.

Para aprofundar esse entendimento, separamos alguns estudos que podem auxiliar no pensar em espaços e hubs de inovação/empreendedorismo em universidades brasileiras. Caso tenha interesse em constuir algo similar em sua universidade, não deixe de nos procurar — é só mandar um email para o [email protected] que a gente pensa em coisas juntos! 🙂

Materiais complementares:

Tese: University campus management dynamics in spatial transformation: Systemic facilitation of interdisciplinary learning communities. Fala sobre a evolução dos espaços na Aalto University (Finlândia) e Melbourne University (Austrália). Nele tem um pouco do desenvolvimento de espaços de empreendedorismo (Startup Sauna) e inovação (Design Factory)

Tese: Arquitetura de centros de pesquisas: um estudo de caso múltiplo quantitativo. Traz um olhar mais profundo sobre inovação a partir da arquitetura, podendo ser útil para quem está cuidando mais do projeto técnico.

Innovation Spaces: The New Design of Work: Estudo legal sobre os novos arranjos físicos de espaços para inovação.

Design para interações sociais: projeto de plataforma catalisadora de encontros em eventos de networking. TCC da FAU-USP que traz insights sobre espaços do MIT para inovação.